02 janeiro 2012

Veneza e seu Carnaval



Atualmente é quase um consenso que a palavra Carnaval originou-se de carne + vale (do latim: caro, carnis = carne; vale = adeus), ou ainda da expressão carne levare ou carnilevamen. As duas expressões têm sentido quase idêntico: suspensão da carne, abstenção de carne.





Assim, o Carnaval anuncia a chegada da Quaresma, período no calendário da Igreja Católica consagrado à penitência e ao jejum. Antigamente, a Igreja recomendava aos católicos que ficassem toda a Quaresma sem comer carne. Hoje esta proibição restringe-se à Sexta-feira Santa.



O Carnaval de Veneza é o mais antigo e celebre da Europa.




Diferente em estilo, ritmo e espírito de qualquer outro carnaval, mas em suas raízes é uma celebração de elite intelectualizada, embora hedonística. As fantasias e as famosas máscaras venezianas inspiram-se na elegância e bom gosto dos trajes dos séculos XVII e XVIII, quando a nobreza disfarçada se misturava ao povo, no meio de saltimbancos, animais amestrados, músicos, marionetes e atores ou as personagens da Commedia Dell´Arte




Conhecida também como Comédia de Máscaras, a Commedia Dell'Arte, era composta por espetáculos teatrais em prosa, muito populares na Itália e em toda a Europa na segunda metade do século XVI até meados do século XVIII. O espetáculo era baseado no improviso dos atores, que seguiam apenas um esquema elaborado pelo autor para cada cena cômica, trágica ou tragicômica.





Grandes atores criavam as ações e os diálogos diante do público. Entre nós tornaram-se famosas as figuras do Arlequim, do Pierrot e da Colombina, mas outras também ganharam fama como a do doutor, do capitão Spaventa, de Pulcinella, Pantalone, entre outros, com seus tipos físicos regionais, com seus dialetos e temperamentos especiais, vestimentas e máscaras características.







Trata-se de uma celebração mítica e seduz um número enorme de visitantes que se concentram todos os anos nas cercanias da Praça São Marcos, apesar das baixas temperaturas e dos constantes prenúncios de marés altas que invadem a Piazza e arredores.




Esta festa carnavalesca, que dura em torno de dez dias, tem característica muito peculiar, distinta de qualquer outro Carnaval. Ao contrário de outras comemorações desta natureza, que nascem principalmente da mobilização popular, o Carnaval de Veneza é originalmente um ritual promovido pela elite financeira e cultural, embora seja igualmente dedicada ao prazer dos sentidos.



Alguns dizem que a festa teve início em 1094, quando o Doge instituiu a festança do carnis laxatio (abandono da carne), ou com o decreto de feriado na 3ª feira antes da quaresma em 1296, outros indicam o início em 1162, na 6ª feira gorda, para festejar uma vitória militar e outros ainda, apontam o ano de 1268, quando foi pela primeira vez documentado o uso de máscaras – um regulamento proibindo o "jogo dos ovos". 
Os jogadores de ovos eram jovens que andavam em grupo, divertindo-se com irreverência e atirando ovos perfumados nas casas e nas jovens que passavam pelas ruas e na Praça de São Marcos. Estes jovens usavam máscaras chamadas mattaccino.

Jogadores de ovos

No final do século XI, o Carnaval de Veneza aparecia nas crônicas como festejos que chegavam a durar até seis meses.




Nesta época, várias leis foram promulgadas visando deter o “declínio moral” dos venezianos, que por traz do anonimato dos trajes e das máscaras, praticavam todo tipo de imoralidade. São comuns relatos de abusos praticados durante e depois do carnaval, desde a mais ingênua tentativa de sedução até o adultério; de pequenos furtos até homicídios. A bandalheira era tão grande que em 1608, uma lei declarou o uso de máscaras uma ameaça à República Sereníssima, proibindo assim, o uso das mesmas.





Em 1797, Veneza passou a fazer parte do Reino Lombardo-Vêneto, quando Napoleão Bonaparte assinou o tratado de Campo Formio. No tocante ao Carnaval, os festejos foram proibidos. No ano seguinte os austríacos tomaram conta da cidade.
Os festejos só foram restabelecidos em 1979 de forma oficial, após quase dois séculos de ausência. Desde então são dez dias de festas e desfiles, que antecedem a Quaresma, num cenário magnífico e inigualável, atraindo mais de 100 mil pessoas.






Luxuosos baile, animados por opulentas orquestras, são realizados nas belas mansões e palácios do Gran Canale e nos salões dos hotéis de luxo. A decorados fica por conta de temas retirados das óperas de Verdi. Dançam-se valsa, tarantela e até mesmo o samba, cada vez mais popular. As companhias chamadas de compagnie della calza realizam desfiles pela cidade, entre as mais conhecidas estão Os Antigos e Os Ardentes. O povo, por sua vez, concentrado na Praça São Marcos, se diverte de maneira bem mais desinibida.



Os mais tradicionais usam as maschera nobile, ou seja, máscara nobre (brancas) ou a tradicional bauta (máscara branca em forma de bico - também conhecida como a máscara de Casanova), completada por um chapéu de três pontas, um tabarro (casaco largo) e uma capa preta de seda cobrindo os ombros e o pescoço, que recria o nobre veneziano nas suas deslocamentos furtivos e incógnitos aos casinos, reuniões secretas e moradas de amores ilícitos.

"Maschera Nobile" 

"Bauta"


Chapéu de três pontas

Outros escondem-se com máscaras prateadas ou douradas e trajes setecentistas. E outros ainda são criativos e arriscam algo mais moderno.










Algumas máscaras ganharam fama, como a meia-máscara, que permite comer e beber, a feminina moretta (presa pelos dentes, o que impedia as damas de abrir a boca) ou a mattaccino dos atiradores de ovos que resistiram à proibição. Os materiais usados para confecção são o papel maché, seda ou couro.




Neste sentido, o Carnaval de Veneza oferece a todos a possibilidade de encarnar um personagem, realizar um sonho ou simplesmente viver no anonimato, por traz de uma fantasia, nem que seja só por uns dias.




Os venezianos aproveitam os dias de carnaval para exibir as máscaras e fantasias mais exuberantes que se pode imaginar.


Naturalmente, que uma bela e sofisticada fantasia ou somente uma máscara, são dispendiosas e representam um investimento que não está ao alcance da maioria dos foliões, mas existe a possibilidade de alugar um traje completo, dando a todos os foliões oportunidade de participar da festa.






Por toda a cidade, existem lojas e artesãos de máscaras para todas os bolsos, das mais simples, fabricadas em "cartapesta" (mistura de gesso e pasta de papel), às mais trabalhadas, com banhos de metal e decoradas com prata e ouro.



Os cafés mais famosos de Veneza, na Praça de San Marco - o Florian e o Quadri - são pontos de passagem obrigatória para observar as mais ricas máscaras e fantasias dos afortunados que podem viver o Carnaval com todo seu esplendor.  

É certo que Veneza fica absolutamente lotada nos dias de Carnaval. As zonas mais turísticas, entre a ponte de Rialto e a Praça de San Marco, são inundadas por um mar de gente o que, por vezes, dificulta a circulação e leva a polícia municipal a interditar o trânsito pedonal em determinadas ruelas. No entanto, é sempre possível fugir ao tumulto procurando bairros menos movimentados, como o Dorsoduro, Cannaregio ou Santa Croce. Uma boa dica é aproveitar a ocasião para visitar as outras ilhas como, Burano, famosa pelas suas rendas e as simpáticas casas coloridas; Murano, célebre pela sua tradição vidreira; o Lido, para um passeio à beira mar e a San Giorgio Maggiore, com os seus jardins e um campanário de onde se disfruta de uma das melhores vistas panorâmicas sobre a cidade.
Não recomendo este período do Carnaval ou qualquer outra época festiva, como Natal ou Páscoa para uma primeira visita a Veneza. Evite também o "pico" do verão nos meses de Julho e Agosto. A Primavera (Abril/Maio) é a melhor época para visitar a cidade ou, como alternativa, o ínicio do Outono (Setembro/Outubro), apenas com o inconveniente de estar sujeito a alguma chuva.

No Brasil o Carnaval de Veneza mais famoso é durante a Festa da Gastronomia em Nova Veneza, Santa Catarina. Site da cidade de Nova Veneza

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Um pouco da história de Veneza
Veneza




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